Património Natural

O Pinhal Novo corresponde a uma zona plana onde predominam argilas, seixos e cascalho.

O clima é de tipo mediterrânico, caraterístico do Sul de Portugal, mas a existência de um grande lençol freático e de pequenos vales percorridos por linhas de água aumenta a humidade e a frequência de nevoeiros e neblinas. Também são frequentes as geadas.

Uma

Uma

Uma das características geológicas de Pinhal Novo são as formações sedimentares permeáveis que atingem elevadas espessuras, daí resultando o armazenamento no solo de grandes quantidades de água, a qual se encontra com facilidade próximo da superfície. Os pauis, as valas, os charcos e chalocas e as três barragens para além de terrenos alagadiços aqui existentes, são exemplos da presença constante da água, nesta região, entre rios.

Chafariz

Localização: Largo José Maria dos Santos, no topo Norte

Autor: desconhecido

Encomendador:

Data: 1952

Materiais: alvenaria

Categoria/Tipologia: Arquitetura Pública Civil

Descrição:

Feito em alvenaria, bastante ornamentado.

Apresenta 4 bicas e duas bacias receptoras de água.

Exibe uma tabela em mármore com a seguinte inscrição:
14.9.1952 CMP.

É constituído também por dois painéis de azulejo, datados da década de 90, decorados com o brasão da freguesia e o do concelho, bem como com reprodução de fotografias de Manuel Giraldes da
Silva sobre cenas locais.

Esclarecimento de termos:

Por Fonte, Chafariz e Tanque entendemos:

Fonte: “Lugar onde brota água continuamente; nascente, àgua que nasce do solo; bica por onde corre água, construção provida de uma ou mais bicas ou torneiras por onde corre água potável.”

Chafariz: palavra com origem no árabe sahrij. “Fontanário com várias bicas e de construção mais ou menos artística.”

Segundo Walter Rossa, o chafariz distingue-se da fonte sobretudo por ”estar em lugares públicos e ser o ponto terminal de uma conduta de abastecimento, exclusivo ou não. Com um número variável de bicas é em muitos casos composto por tanques a níveis diversos diferenciando a água das pessoas e dos animais. Por tal surgiram à sua volta frades destinados a evitar a aglomeração de carros de tracção animal junto ao tanque (…) elementos (…) muito importantes na composição do conjunto e do espaço urbano.”

Fonte bibliográfica:

Cristina dos Reis Prata, Arquitectura da água : fonteschafarizes e tanques : para o inventário do património histórico edificado do Concelho de Palmela, Mais museu, Separata do boletim do Museu Municipal de Palmela nº 8

Torre de controlo ferroviária

Localização: entre linhas ferroviárias

Autor: José Ângelo Cottinelli Telmo (1897-1948)

Encomendador: Companhia dos Caminhos de ferro portugueses

Data: construção entre maio de 1936 e setembro de 1938; inauguração em outubro de 1938; desativada em 2004

Materiais: alvenaria, betão, ferro e vidro

Categoria/Tipologia: Arquitetura civil

Arquitetura funcionalista

Classificação: Imóvel de Interesse Municipal em 2002 (ID 4980645)

Análise

Arquitetura

Situada entre linhas, a construção destaca-se pelo desenho rigoroso e a grande originalidade da volumetria, com o corpo principal esguio, de seção retangular com a frente arredondada, que a meia altura se alarga, através de dois volumes laterais em forma de paralelipípedos, sobre as quais assenta a plataforma de vigia da estação, esta já com a caixilharia metálica modernizada.

Ao conjugar harmoniosamente a estrutura de betão e ferro com grandes superfícies de vidro revela uma feição modernista elegante e de perfil inovador, tirando partindo dos envidraçados, mereceu à data da inauguração referências elogiosas dos meios arquitectónicos nacionais e internacionais.

Funcionalidade

Estas infraestruturas ferroviárias revestiam-se de elevada funcionalidade, sendo tipicamente desenvolvidas em 3 pisos interligados por escada (no caso de Pinhal Novo em caracol) dado o tipo de tecnologia de sinalização instalada

Os equipamentos de sinalização ferroviária eletromecânica da Siemens foram os responsáveis pela realização dos movimentos de comboios na estação, de forma segura.

A torre de sinalização da estação de Pinhal Novo é um exemplo concreto de uma estrutura que operou durante décadas, ininterruptamente, e geriu o complexo nó ferroviário de Pinhal Novo (o mais movimentado do sul do país), contemplando ligações a Penalva, Moita, Montijo, Poceirão e Palmela.

As alterações introduzidas pela recente ampliação da estação de Pinhal Novo, esta torre de controlo esteve ameaçada de demolição ou, em solução alternativa mas não menos radical, de transplantação de sítio, refletindo-se em polémicas na comunicação social. A intervenção da Junta de Freguesia de Pinhal Novo, da Ordem dos Arquitetos e de João Paulo Martins, investigador da obra de Cottinelli Telmo, que considerou esta obra um “verdadeiro adereço cenográfico que explorava de uma forma inventiva as possibilidades expressivas da arquitetura moderna”, permitiu que esta obra continue a ser um dos marcos mais importantes da arquitetura do século XX, tendo sido considerada Imóvel de Interesse Municipal de Palmela em 2002

Torres ferroviárias projetadas por Cottinelli Telmo

Na Estação ferroviária de Ermesinda, 1935-37
Na Estação Ferroviária de Pinhal Novo, 1936-38
Na Estação ferroviária de Campolide, 1940

O arquiteto

Arquiteto e cineasta português, José Ângelo Cottinelli Telmo nasceu a 13 de novembro de 1897, em Lisboa, tendo falecido a 18 de setembro de 1948, em Cascais, vítima de um acidente de pesca.
Cottinelli Telmo estudou Arquitetura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, tendo completado o curso em 1920. Enquanto estudava arquitetura, começou também a dedicar-se ao cinema, tendo colaborado na realização dos filmes Malmequer e Mal de Espanha, ambos de 1918, realizados por Leitão de Barros e produzidos na Lusitânia-Film.
Muito jovem tornou-se conhecido pelos seus dotes para a arquitetura em 1922 quando desenhou o Pavilhão de Honra da Exposição do Rio de Janeiro. Sete anos mais tarde foi escolhido para conceber o Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

Cottinelli Telmo (1897-1948)
Entrada da Exposição do Mundo Português, 1940

Em 1940 atingiu o ponto máximo da carreira ao ser designado Arquiteto-Chefe da Exposição do Mundo Português, que teve lugar em Lisboa, em Belém, junto ao Rio Tejo. Cottinelli Telmo projetou a Praça do Império e a Fonte Monumental, o Monumento dos Descobrimentos, juntamente com Leopoldo de Almeida, e a Porta da Fundação.

Planta geral da Exposição do Mundo Português, 1940

Outras obras importantes de sua autoria foram a fábrica da Standard Elétrica em Lisboa e a Cidade Universitária de Coimbra.
Já desde 1938 era diretor da revista Arquitetos, função que manteve até 1942.

Fábrica da Standard Elétrica, Lisboa
Cartaz do filme “A Canção de Lisboa” primeiro filme sonoro totalmente feito em Portugal e realizado por C. Telmo (Infopédia)

Entretanto, em 1932 havia unido a arquitetura ao seu interesse pelo cinema e construiu, com A. P. Richard, o Estúdio da Tóbis, no Lumiar, em Lisboa. No ano seguinte recorreu ao Tóbis para aí realizar A Canção de Lisboa, um clássico do cinema português que contou com as interpretações de Vasco Santana, António Silva, Beatriz Costa e Manoel de Oliveira, mais tarde um conceituado cineasta. Esta obra tornou-se um modelo do cinema cómico nacional. A Canção de Lisboa foi o primeiro filme sonoro completamente produzido em Portugal.



A junção da arquitetura ao cinema resultou também nos filmes ViaMáquinas e Maquinistas e Obras de Arte, todos de 1937, numa altura em que era arquiteto-adjunto da CP – Caminhos de Ferro Portugueses.
Ligado às Artes Plásticas e às Letras, Cottinelli Telmo foi um dos pioneiros da banda desenhada em Portugal.
Cottinelli Telmo morreu precocemente a 18 de setembro de 1948, vítima de um acidente enquanto pescava em Cascais.

Fontes documentais:

Barrento, Nuno Silvério – A torre de sinalização do Pinhal Novo, APAI – Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, Grupo de Trabalho do Património Ferroviário, 2021, in: https://apaiassociacao.wixsite.com/apai/projectos

Infopedia https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$cottinelli-telmo

Martins, João Paulo -COTTINELLI TELMO – A criação do mundo, Revista Arquitectura & Construção, Setembro 2004 in: http://citizengrave.blogspot.com/2013/01/cottinelli-telmo-criacao-do-mundo.html

Torre de Sinalização e Manobra da Estação Ferroviária de Pinhal Novo -Direção Geral do Património Cultural http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/4980645/

Serrão, Vitor e José Meco – Palmela Histórico-Artística, um inventário do património artístico concelhio. Lisboa/Palmela: Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela. 2007

Coreto da S. F. U. A

Sociedade Filarmónica União Agrícola

Localização: Jardim José Maria dos Santos em frente à antiga estação de Caminho de Ferro, hoje Museu “A Estação”

Autor: Januário Melícias Corrêa

Encomendador: para uso da Sociedade Filarmónica União Agrícola fundada em 1896

Data: 1926

Materiais: ferro forjado e fundido e pedra


Descrição

Vista frontal, detalhe da escadaria dupla e do gradeamento – fotografia LCP

O coreto tem uma planta octogonal.

A plataforma é construída em pedra lioz (calcário), com as faces almofadadas em mármore.

O acesso é realizado por uma escadaria dupla, cujo patamar apresenta na frente, gravada, a data inaugural «19-6-927».

A protecção da escada e do recinto é feita por um gradeamento de ferro forjado que, no remate da escada, apresenta uma lira adossada, também de ferro.

Vista lateral do coreto Lateral – fotografia LCP

As cores usadas na cobertura, vermelho no exterior e branco no interior, repetem-se nos vários gradeamentos e elementos de ferro, emprestando à contrução uma grande vivacidade

Nos ângulos da plataforma, a estrutura é completada por oito colunas de ferro fundido, sobre as quais assenta a cobertura em forma de chapéu arqueado

Vista lateral direita – fotografia LCP
Pormenor da cobertura – fotografia LCP

A cobertura é rematada por uma grelha de ferro fundido com motivos neogóticos, e termina num vértice decorado com enrolamentos de ferro forjado de efeito vistoso

Inauguração do coreto

Bibliografia:

Serrão, Vitor e José Meco – Palmela Histórico-Artística, um inventário do património artístico concelhio. Lisboa/Palmela: Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela. 2007

Monumento a José Maria dos Santos



Localização: Jardim José Maria dos Santos, em frente à capela de S. José e próximo do coreto

Encomendadores: antigos rendeiros de José Maria dos Santos após a sua morte

Data: 1916

Autor: assinado Costa Motta (?) Costa Motta, Tio (1862-1930) ou Costa Motta, Sobrinho (1877-1956)

Pedestal

Estrutura tripartida amparada dos lados por duas volutas apoiadas na base ou soco.

As volutas, nos perfis, apresentam uma decoração de parras e cachos de uvas.

Entre a base e o dado encontra-se uma placa de bronze, em forma de brasão, que tem ao centro, simbolicamente, uma colmeia com três abelhas; esta placa é rodeada por um baixo-relevo que representa alfaias agrícolas – uma pá, um ancinho, uma foice e uma enxada – entrelaçadas por uma fita.

Entre as duas cornijas, na parte central, vinhas retorcidas, parras e uvas, com caráter expressivo, emolduram uma inscrição que imita uma tabuleta de madeira:

AO BENEMERITO

E

INSIGNE LAVRADOR

JOSÉ MARIA

DOS

SANTOS

1832-1913

No ábaco, dois pequenos enrolamentos laterais (um fraturado), com um anel central, de onde emergem quatro espigas de trigo. Nele existiria uma pequena grinalda de bronze, visível em fotografias antigas.

Detalhe da placa de bronze
Pormenor dos relevos

Busto

O busto de bronze é uma escultura de pendor naturalista, sem pormenorização excessiva, que transmite uma imagem de força e de serenidade do homenageado.

Autor

A assinatura C. Motta e a data de 1916 encontram-se na parte posterior, nas costas do ombro esquerdo. Esta assinatura pode levantar dúvidas entre o escultor Costa Motta, Tio (1862-1930) e o escultor e ceramista Costa Motta, Sobrinho (1877-1956), mas pela grafia da assinatura e o carácter da obra, é com toda a probabilidade um trabalho do segundo.

Costa Motta Sobrinho, natural de Coimbra, aprendeu a arte com o seu tio homónimo. Estagiou em Paris, entre 1904-1905, no atelier do escultor Jean-Antoine Injalbert e, após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, foi diretor artístico da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, em 1908. A partir de 1914, e em especial após o encerramento definitivo da Fábrica das Caldas, em 1916, até iniciar o projeto da Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves (mais tarde Escola António Arroio, inaugurada em 1928), dedicou-se essencialmente à escultura, no seu atelier de Lisboa.

Executou ainda a encomenda do Conselho Nacional de Turismo para a realização dos 13 grupos escultóricos, dos Passos da Via Sacra para as Capelas da Mata do Buçaco. Fez diversos bustos de mármore e de bronze, de várias figuras públicas – como o de Fialho de Almeida para a Biblioteca Nacional, o de Júlio de Castilho, ou o de Actor Taborda no Jardim da Estrela -, quase sempre por encomenda, como o busto de José Maria dos Santos.

Bibliografia:

Serrão, Vitor e José Meco – Palmela Histórico-Artística, um inventário do património artístico concelhio. Lisboa/Palmela: Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela. 2007